Saúde

Vergonha ainda faz mulheres ignorarem sinais da saúde íntima

Por Andrezza Barros • 24/08/2026
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Vergonha ainda faz mulheres ignorarem sinais da saúde íntima

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Ginecologista da JK Estética Avançadaa explica quais mudanças merecem investigação e por que informação, prevenção e diagnóstico devem vir antes de qualquer tratamento

Corrimento, coceira, ressecamento, escapes de urina ou dor durante a relação são queixas que podem ter diferentes causas, mas muitas vezes são acompanhadas pelo mesmo comportamento: o silêncio. Por vergonha, falta de informação ou por acreditar que determinado incômodo é consequência natural da idade, da maternidade ou da menopausa, algumas mulheres convivem com sintomas por longos períodos antes de procurar orientação.

Questões relacionadas à vagina, vulva, sexualidade e ao assoalho pélvico ainda podem ser difíceis de abordar até mesmo durante uma consulta. O risco de normalizar esses desconfortos está justamente em adiar a investigação de alterações que poderiam ser avaliadas e, quando necessário, tratadas.

Para a Dra. Anamarya Roccha, ginecologista da JK Estética Avançada, criar um ambiente em que a paciente consiga falar abertamente sobre o que sente é uma parte importante do atendimento.

“Existem mulheres que convivem durante muito tempo com um desconforto porque acreditam que aquilo faz parte da idade, da maternidade ou da menopausa. Quando existe espaço para falar sem constrangimento, conseguimos entender melhor a queixa e investigar o que está acontecendo”, explica.

Nem todo desconforto deve ser encarado como normal

As necessidades relacionadas à saúde íntima mudam ao longo da vida. Puberdade, período reprodutivo, gravidez, pós-parto e menopausa podem provocar transformações diferentes, e até mulheres da mesma faixa etária podem apresentar sintomas semelhantes por razões completamente distintas.

Na menopausa, por exemplo, alterações hormonais podem repercutir nos tecidos da região íntima e estar relacionadas a sintomas como ressecamento e desconforto. Isso não significa, entretanto, que toda mudança apresentada nessa fase deva ser automaticamente atribuída ao envelhecimento.

“Não existe uma resposta única para todas as pacientes. Antes de pensar em tratamento, precisamos entender a origem do sintoma, o histórico daquela mulher e o impacto que aquilo está provocando na rotina dela”, afirma a ginecologista.

O mesmo cuidado vale para corrimentos, coceiras, mudanças menstruais, escapes urinários e dor nas relações sexuais. Quando são recorrentes ou passam a interferir no cotidiano, esses sinais devem ser relatados ao profissional para que sua origem seja investigada.

Tecnologia ampliou opções, mas não substitui avaliação

O avanço de tecnologias direcionadas à saúde íntima feminina também aumentou o número de possibilidades discutidas nos consultórios. Dependendo da condição identificada e da indicação médica, determinados recursos podem integrar o tratamento.

Ao mesmo tempo, a popularização de expressões como “rejuvenescimento íntimo” ajudou a despertar interesse por procedimentos, mas pode criar a impressão de que uma tecnologia específica é a resposta para qualquer desconforto.

Segundo Dra. Anamarya, a ordem precisa ser justamente a contrária: primeiro identificar o problema e somente depois avaliar as possibilidades disponíveis.

“Tecnologia não substitui diagnóstico. Primeiro precisamos saber por que aquela mulher apresenta determinado sintoma. Só depois podemos discutir quais opções fazem sentido para ela”, explica.

Estética íntima e problema de saúde não são a mesma coisa

A aparência da região íntima varia naturalmente entre as mulheres. Por isso, uma característica estética não representa, necessariamente, uma doença ou algo que precise ser corrigido.

Por outro lado, quando uma mudança vem acompanhada de dor, desconforto ou impacto significativo na rotina e na autoestima, ela pode ser levada à consulta para uma avaliação individualizada. O objetivo é diferenciar características naturais de situações que realmente exigem acompanhamento.

A prevenção continua sendo outra parte fundamental desse cuidado. Consultas ginecológicas, exames indicados conforme idade e histórico e atenção às mudanças percebidas no próprio corpo ajudam a identificar alterações que precisam de investigação.

Para a especialista da JK Estética Avançada, ampliar a informação também significa permitir que mulheres entendam que assuntos envolvendo sexualidade, alterações urinárias, desconfortos e aparência íntima podem fazer parte da conversa com o ginecologista sem constrangimento.

Antes de qualquer tecnologia ou procedimento, portanto, existe uma etapa essencial: falar sobre o sintoma. Reconhecer o que pode fazer parte das transformações naturais do corpo e o que merece investigação ajuda a evitar que problemas tratáveis sejam ignorados simplesmente porque a mulher acreditou que precisava aprender a conviver com eles.

Andrezza Barros
Sobre o autor
Andrezza Barros
Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.
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