Sangramento e mau hálito? Veja 5 sinais de periodontite

Dentista explica por que a inflamação pode avançar sem dor, quais sinais merecem atenção e quando tratamentos menos invasivos podem ajudar a preservar os dentes naturais
Sangrar ao escovar os dentes ou passar fio dental pode parecer algo comum, mas esse é um dos sinais que merecem atenção quando o assunto é saúde bucal. O problema pode indicar uma inflamação na gengiva que, quando não tratada, tem potencial para atingir as estruturas responsáveis pela sustentação dos dentes.
A periodontite é uma doença infecciosa e inflamatória que compromete a gengiva e os tecidos ao redor dos dentes. Em muitos casos, começa como uma gengivite, condição mais superficial e reversível. Com a progressão do quadro, porém, pode ocorrer perda óssea e, nos casos mais avançados, mobilidade e perda dentária.
Segundo a Dra. Cristina Miura, periodontista e implantodontista especializada em doenças da gengiva, um dos principais problemas é que a doença pode evoluir sem provocar dor.
“A doença periodontal avança em silêncio. O paciente não sente nada, continua escovando os dentes normalmente e acha que está tudo bem. Quando percebe, já perdeu parte do osso”, afirma.
Por que a periodontite pode avançar sem dor?
A ausência de dor não significa que a gengiva esteja saudável. Nos estágios iniciais, outros sinais podem aparecer primeiro, entre eles sangramento, inchaço, mau hálito persistente e retração gengival.
“O paciente chega ao consultório achando que veio para uma limpeza de rotina e descobre que está prestes a perder um dente. Isso acontece todos os dias. A dor não é um bom indicador de saúde bucal”, explica a especialista.
Conforme a doença progride, o osso responsável pela sustentação dos dentes pode ser comprometido. A gengiva também pode retrair, fazendo com que os dentes pareçam mais longos e deixando espaços mais aparentes entre eles. Nos quadros avançados, pode surgir mobilidade dentária.
Periodontite não é apenas falta de higiene
Embora a higiene bucal tenha papel importante na prevenção, a periodontite não está relacionada somente à escovação inadequada. A boca possui diferentes tipos de bactérias e o problema pode surgir quando ocorre um desequilíbrio nesse ambiente.
“Existe placa que não causa doença e existe placa patogênica. Quando o equilíbrio se perde e as bactérias causadoras de doença ganham espaço, a gengiva inflama, o osso começa a ser afetado e o dente perde suporte. Isso é periodontite”, explica Dra. Cristina.
Esse desequilíbrio, conhecido como disbiose bucal, pode ser favorecido por fatores como acúmulo de tártaro, tabagismo, diabetes, alterações hormonais, predisposição genética e higiene inadequada.
Confira 5 sinais de periodontite que merecem atenção
1. Sangramento ao escovar ou passar fio dental
O sangramento é um dos sinais mais frequentes e também um dos que costumam ser normalizados pelos pacientes.
“Nenhum sangramento gengival é normal. Se há sangue, há inflamação, mesmo sem dor e mesmo sem outro sintoma visível”, alerta a periodontista.
2. Gengiva vermelha, inchada ou retraída
Alterações na aparência da gengiva podem indicar um processo inflamatório. Quando ocorre retração, parte da raiz do dente pode ficar exposta, fazendo também com que ele pareça mais comprido.
3. Mau hálito persistente
O mau hálito que continua mesmo após uma rotina adequada de escovação e uso do fio dental pode estar relacionado à presença de bactérias na região gengival e merece investigação.
4. Dentes que parecem mais longos ou com espaços entre eles
Mudanças aparentemente estéticas também podem sinalizar um problema periodontal. A impressão de dentes maiores pode estar associada à retração da gengiva, enquanto espaços escuros podem surgir quando há perda dos tecidos de sustentação.
5. Dente mole ou com sensação de mobilidade
A mobilidade dentária é um sinal de alerta importante e exige avaliação profissional. Ela pode indicar comprometimento do osso responsável por manter o dente firme.
Todo caso de periodontite precisa de cirurgia?
Nem sempre. Muitos casos leves e moderados podem ser tratados com técnicas menos invasivas, especialmente quando a doença é identificada precocemente.
O tratamento periodontal não cirúrgico busca controlar a infecção, remover depósitos bacterianos e favorecer o restabelecimento de um ambiente bucal saudável. A escolha da abordagem depende do estágio da doença e da avaliação realizada pelo periodontista.
“A cirurgia existe e tem seu papel em casos específicos. Mas muitos pacientes chegam acreditando que vão precisar de um procedimento complexo e descobrem que o tratamento pode ser mais simples do que imaginavam. O problema, quase sempre, é o tempo que se levou para buscar avaliação”, afirma Dra. Cristina.
Um dos exames utilizados para identificar a doença é a sondagem periodontal. Com uma pequena sonda, o profissional mede a profundidade do espaço entre a gengiva e o dente. Alterações nessas medidas podem indicar inflamação e perda das estruturas de sustentação.
Periodontite tem cura?
A periodontite é considerada uma doença crônica que pode ser controlada. Tratamento adequado, acompanhamento periódico e cuidados diários permitem estabilizar o processo inflamatório e contribuir para a preservação dos dentes naturais.
“Meu objetivo, e o de todo periodontista, é salvar o dente natural. Implante é uma solução, mas nunca é melhor do que um dente saudável na boca. Nenhum implante mastiga igual, nenhum implante tem ligamento, nenhum implante tem sensibilidade. O dente natural é insubstituível”, destaca a especialista.
Sangramento persistente, mau hálito que não melhora, gengiva inchada ou retraída e qualquer sensação de mobilidade são motivos para procurar avaliação. Enxaguantes bucais podem reduzir temporariamente alguns sinais, mas não substituem a investigação da causa.
Quanto mais cedo a periodontite é identificada, maiores são as possibilidades de controlar sua progressão, utilizar abordagens menos invasivas e preservar os dentes naturais.
