Saúde

Sexo ou pornografia estão tomando conta da rotina? Veja os sinais de alerta

Por Andrezza Barros • 24/08/2026
Legenda: Sexo ou pornografia estão tomando conta da rotina? Veja os sinais de alerta
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Sexo ou pornografia estão tomando conta da rotina? Veja os sinais de alerta

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Sexo ou pornografia estão tomando conta da rotina? Veja os sinais de alerta
Psiquiatra Adiel Rios explica quando comportamentos sexuais deixam de ser apenas um hábito e passam a indicar perda de controle

Ter uma vida sexual ativa, masturbar-se ou consumir pornografia com frequência não significa necessariamente que exista uma compulsão. Na avaliação médica, a quantidade de vezes que determinado comportamento acontece é apenas uma parte da análise. O que realmente chama atenção é quando a pessoa começa a perder a capacidade de controlar esses impulsos e percebe consequências em diferentes áreas da vida.

Os primeiros sinais podem aparecer na própria rotina. Horas de sono sacrificadas para consumir conteúdo pornográfico, compromissos deixados de lado, queda de produtividade, problemas nos relacionamentos ou sucessivas tentativas de diminuir determinado comportamento sem conseguir são situações que merecem atenção.

A Classificação Internacional de Doenças (CID-11) reconhece o transtorno do comportamento sexual compulsivo e o inclui entre os transtornos do controle de impulsos. A condição envolve um padrão persistente de dificuldade em controlar impulsos ou desejos sexuais intensos e recorrentes, levando à repetição de comportamentos mesmo quando eles já provocam consequências negativas.

Para o Dr. Adiel Rios, fundador do Grupo Nutrindo Emoções by Adiel Rios, médico psiquiatra, mestre em Psiquiatria, doutorando e membro titular da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), a frequência sexual, isoladamente, não determina a existência de um transtorno.

Isso significa que não existe um número de relações sexuais, masturbações ou acessos a conteúdos pornográficos que sirva como limite universal entre um comportamento considerado saudável e uma compulsão. Uma pessoa pode apresentar libido elevada sem sofrer qualquer prejuízo, enquanto outra pode perceber que a busca por estímulos sexuais passou a interferir diretamente em sua rotina.

Quando o comportamento começa a comandar o dia

Um sinal importante aparece quando sexo ou pornografia deixam de ocupar apenas momentos específicos e passam a influenciar a organização da vida. A pessoa pode começar a adiar responsabilidades, reduzir o convívio social, perder horas de sono ou organizar compromissos de acordo com as oportunidades de buscar estímulos sexuais.

Outro alerta são as tentativas recorrentes de parar ou diminuir sem sucesso. Mesmo reconhecendo problemas no relacionamento, no trabalho ou no próprio bem-estar, a pessoa continua repetindo o comportamento e encontra dificuldade para estabelecer limites.

No caso da pornografia, estudos recentes procuram dimensionar o chamado uso problemático. Uma meta-análise publicada em 2025 na revista científica Sexual Health reuniu 22 estudos, com 31.566 participantes, e encontrou prevalência combinada de 13%.

O dado, porém, não significa que 13% da população tenha “vício em pornografia”. Os pesquisadores encontraram grande variação entre os trabalhos analisados, relacionada à região, ao perfil dos participantes e aos instrumentos utilizados. Além disso, o uso problemático de pornografia não possui critérios diagnósticos próprios como uma condição independente e pode aparecer dentro do contexto do comportamento sexual compulsivo.

Culpa depois do sexo ou da pornografia significa compulsão?

Não necessariamente. A maneira como cada pessoa encara a própria sexualidade também precisa ser considerada durante uma avaliação.

Alguém pode sentir vergonha ou culpa depois de assistir a pornografia porque esse comportamento entra em conflito com valores pessoais, familiares, culturais ou religiosos. Esse sentimento, por si só, não é suficiente para caracterizar um transtorno.

A avaliação clínica procura identificar principalmente se existe perda persistente de controle e se o comportamento provoca prejuízos concretos. Essa diferenciação evita que conflitos morais relacionados à sexualidade sejam interpretados automaticamente como uma doença psiquiátrica.

Mudanças repentinas também merecem investigação. Um aumento muito intenso do desejo ou da atividade sexual, especialmente quando foge completamente do padrão habitual da pessoa, pode estar associado a outras alterações que precisam ser avaliadas por um profissional.

Por isso, uma consulta não se resume a descobrir quantas vezes alguém faz sexo, se masturba ou acessa pornografia. É necessário entender quando a mudança começou, quanto tempo o comportamento ocupa, quais situações funcionam como gatilho e quais consequências surgiram a partir dele.

Tratamento não busca eliminar o desejo sexual

Quando existe indicação de tratamento, o objetivo não é fazer com que o paciente deixe de sentir desejo ou abandone sua vida sexual. A proposta é recuperar a capacidade de escolha e reduzir os prejuízos provocados por comportamentos que se tornaram difíceis de controlar.

Uma meta-análise publicada em 2025 sobre psicoterapia direcionada ao uso problemático de pornografia encontrou evidências de melhora com intervenções psicoterapêuticas. Os pesquisadores, no entanto, também destacaram limitações na quantidade e na qualidade das evidências disponíveis.

Na prática clínica, cada caso precisa ser analisado individualmente. A investigação pode considerar gatilhos emocionais, frequência, consequências, tentativas anteriores de controle e a presença de outras condições psiquiátricas.

Mais do que estabelecer quantas vezes seria “normal” fazer sexo ou assistir a pornografia, o principal ponto é observar quem está no controle. Quando o comportamento começa a determinar escolhas, comprometer relacionamentos, interferir no sono, nos estudos ou no trabalho e continua acontecendo apesar das tentativas de reduzi-lo, buscar avaliação especializada pode ajudar a entender o problema e encontrar formas de recuperar o equilíbrio.

Andrezza Barros
Sobre o autor
Andrezza Barros
Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.
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