Junho Laranja reforça importância do diagnóstico precoce da leucemia e da anemia

Estimativa do INCA aponta mais de 12 mil novos casos anuais de leucemia até 2028 no Brasil
O mês de junho marca uma importante campanha de conscientização sobre doenças hematológicas que afetam milhares de brasileiros todos os anos. Conhecido como Junho Laranja, o período chama atenção para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento da leucemia e da anemia, duas condições que, embora atinjam o sangue, possuem causas, características e tratamentos bastante diferentes.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar mais de 12.220 novos casos de leucemia por ano até 2028. O número representa um crescimento expressivo em relação às projeções realizadas há uma década, quando eram estimados cerca de 10 mil novos diagnósticos anuais. A expectativa atual aponta para aproximadamente 6.540 casos entre homens e 5.680 entre mulheres a cada ano.
Apesar da relevância dos números, ainda existem muitos mitos envolvendo a doença. Um dos mais comuns é a crença de que a anemia pode evoluir para leucemia. De acordo com a hematologista Maria Amorelli, que atende no centro clínico do Órion Complex, essa associação não é verdadeira.
“A mielodisplasia é uma doença que pode se manifestar com uma anemia, principalmente no paciente idoso. Muitas vezes, principalmente nos mais idosos, o paciente com mielodisplasia evolui para um quadro de leucemia. Essa doença é uma predisposição, quase uma pré-leucemia, onde a gente pode realmente ter uma transformação”, explica a médica.
A leucemia é um tipo de câncer que se origina nas células-tronco da medula óssea e pode se apresentar de forma aguda ou crônica. A doença afeta a produção normal das células sanguíneas e exige acompanhamento especializado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 474 mil casos foram registrados em todo o mundo em 2020.
Embora a medicina já conheça alguns fatores associados ao aumento do risco, a causa exata da leucemia ainda não é totalmente compreendida.
“A gente não consegue estabelecer uma única causa para a doença”, afirma Maria Amorelli.
Entre os fatores que podem aumentar a predisposição estão tratamentos anteriores com quimioterapia ou radioterapia, exposição frequente a substâncias como benzeno e agrotóxicos, além de algumas síndromes genéticas. Pessoas com síndrome de Down, por exemplo, apresentam maior risco de desenvolver a doença.
A especialista destaca que não existe uma forma específica de prevenir a leucemia, mas o acompanhamento médico regular pode contribuir para a identificação precoce dos casos, aumentando as possibilidades de tratamento.
Já a anemia é uma condição muito mais frequente na população. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que cerca de 30% da população mundial convive com algum tipo de anemia. A doença ocorre quando há redução na quantidade de hemácias ou da hemoglobina, comprometendo o transporte de oxigênio para os tecidos do organismo.
Os sintomas mais comuns incluem cansaço excessivo, fraqueza, falta de ar, tonturas, sonolência e dificuldade de concentração. Diferentemente da leucemia, a anemia possui diversas causas possíveis, incluindo deficiência de ferro, vitamina B12 e ácido fólico, doenças crônicas, perdas sanguíneas e alterações hereditárias.
“A anemia por falta de vitamina, como ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, pode ser resolvida com uma alimentação variada, mais rica em nutrientes variados”, orienta a hematologista.
Por isso, diante de sintomas persistentes, a recomendação é procurar avaliação médica para identificar a origem do problema e iniciar o tratamento adequado. No caso tanto da anemia quanto da leucemia, o diagnóstico precoce continua sendo um dos principais aliados para melhores resultados e qualidade de vida dos pacientes.
