Diabetes aumenta risco de infarto e AVC, exigindo atenção além da glicose

Especialista alerta para o infarto silencioso e reforça a importância do acompanhamento cardiovascular
O diabetes é frequentemente associado ao controle da glicose, mas os impactos da doença vão muito além dos níveis de açúcar no sangue. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), pessoas com diabetes podem apresentar um risco até quatro vezes maior de desenvolver infarto e acidente vascular cerebral (AVC), tornando o acompanhamento cardiovascular uma parte essencial do tratamento.
O alerta ganha ainda mais relevância diante do crescimento da doença no Brasil. Dados da pesquisa Vigitel mostram que o percentual de adultos diagnosticados com diabetes saltou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024, um aumento de 135% em menos de duas décadas. No mesmo período, também cresceram fatores que elevam o risco cardiovascular, como hipertensão, excesso de peso e obesidade.
De acordo com o cardiologista Dr. André Brandão, da Kora Saúde, a relação entre diabetes e doenças cardiovasculares está diretamente ligada aos danos provocados pelo excesso de glicose nos vasos sanguíneos.
“O açúcar elevado funciona como uma espécie de lixa nas paredes internas das artérias. Esse processo favorece inflamações, facilita o acúmulo de placas de gordura e aumenta o risco de obstruções que podem levar ao infarto e ao AVC”, explica.
Além dos riscos conhecidos, existe uma complicação que costuma passar despercebida: o chamado infarto silencioso. Segundo o especialista, pacientes diabéticos podem apresentar alterações nos nervos responsáveis pela percepção da dor, condição conhecida como neuropatia diabética. Com isso, um infarto pode ocorrer sem o sintoma clássico da dor intensa no peito.
“Muitas vezes, o paciente sente apenas falta de ar, suor frio, cansaço excessivo ou um mal-estar repentino. Como os sintomas são mais discretos, a procura por atendimento costuma demorar, o que aumenta os riscos de complicações”, alerta.
O médico reforça que qualquer sintoma incomum deve ser investigado rapidamente, principalmente quando surge de forma repentina ou sem explicação aparente.
Entre as principais recomendações para reduzir os riscos cardiovasculares estão manter a glicemia controlada, acompanhar regularmente a pressão arterial e os níveis de colesterol, praticar atividades físicas, evitar o tabagismo e cuidar da qualidade do sono.
Segundo Dr. André Brandão, o tratamento moderno do diabetes exige uma visão ampla da saúde do paciente. “Não basta olhar apenas para a glicose. O diabetes é uma doença que afeta todo o organismo e exige acompanhamento integrado. O cardiologista deve ser um aliado tão presente quanto o endocrinologista no cuidado desses pacientes”, afirma.
Para os especialistas, o diagnóstico precoce, a adesão ao tratamento e o acompanhamento médico regular continuam sendo as principais ferramentas para reduzir complicações e preservar a qualidade de vida de quem convive com a doença.
