Arroz pode ajudar na saciedade e até favorecer o emagrecimento, explica nutricionista

Especialista esclarece mitos sobre o alimento e mostra como preparo e consumo influenciam na saúde
Presente diariamente na mesa da maioria dos brasileiros, o arroz costuma ser um dos primeiros alimentos questionados quando o assunto é emagrecimento ou controle da glicemia. Apesar da fama de “vilão” em algumas dietas, especialistas afirmam que o grão pode fazer parte de uma alimentação equilibrada e até contribuir para uma rotina alimentar mais saudável quando consumido da forma adequada.
De acordo com Cintya Bassi, coordenadora de Nutrição e Dietética do São Cristóvão Saúde, a forma de preparo do arroz pode influenciar diretamente sua absorção pelo organismo. Um dos fatores que mais chama atenção é o processo de resfriamento ou congelamento do alimento após o cozimento.
Segundo a nutricionista, quando o arroz é consumido logo após ficar pronto, o organismo absorve seus carboidratos de forma mais rápida, provocando uma elevação mais acelerada da glicose sanguínea. No entanto, quando o alimento permanece refrigerado por pelo menos 12 horas antes de ser reaquecido, ocorre um fenômeno chamado retrogradação do amido.
“Esse processo aumenta a formação do chamado amido resistente, que é absorvido de forma mais lenta pelo organismo. Isso favorece uma maior sensação de saciedade, reduz os picos glicêmicos e ainda beneficia a saúde intestinal”, explica.
A especialista destaca que essa mudança pode reduzir significativamente o índice glicêmico do alimento, tornando-o uma opção interessante para pessoas que buscam controlar a glicemia ou manter uma alimentação mais equilibrada.
Outro ponto importante é que o arroz branco não precisa ser eliminado da dieta. Apesar de possuir menor quantidade de fibras quando comparado ao arroz integral, ele pode ser consumido normalmente desde que faça parte de uma refeição balanceada.
“O arroz branco pode perfeitamente estar presente em uma dieta de emagrecimento. O mais importante é observar a quantidade consumida e a composição do prato como um todo”, afirma.
A recomendação é combinar o arroz com fontes de proteína, como carnes, peixes ou ovos, além de vegetais ricos em fibras. Essa associação contribui para retardar a digestão dos carboidratos e aumentar a saciedade.
Já o arroz integral continua sendo a opção mais rica em fibras, vitaminas e minerais. Por preservar as camadas externas do grão, apresenta menor impacto glicêmico e favorece o funcionamento intestinal. Entre os dois extremos está o arroz parboilizado, considerado uma alternativa intermediária por preservar parte dos nutrientes durante seu processamento.
Além da escolha do tipo de arroz, pequenos cuidados no preparo também podem fazer diferença. Utilizar a quantidade adequada de água durante o cozimento evita a perda de nutrientes, enquanto a adição de pequenas quantidades de gordura saudável, como azeite de oliva, pode contribuir para uma absorção mais lenta dos carboidratos.
Para Cintya Bassi, o mais importante é abandonar a ideia de que um único alimento seja responsável pelo ganho ou perda de peso. “O que determina os resultados é o conjunto da alimentação e dos hábitos de vida. O arroz pode ser um aliado da saúde quando consumido com equilíbrio e dentro de uma alimentação variada”, conclui.
