Saúde

Alzheimer e os avanços da ciência que ajudam a entender melhor a doença

Por Andrezza Barros • 11/06/2026
Legenda: Alzheimer
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Alzheimer e os avanços da ciência que ajudam a entender melhor a doença

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Alzheimer
Especialistas explicam o que já se sabe sobre memória, diagnóstico e convivência com pacientes

Os avanços recentes da ciência vêm mudando a forma como o Alzheimer é compreendido e tratado em todo o mundo. Um estudo internacional conduzido por pesquisadores da Espanha, Reino Unido e China reacendeu as discussões sobre o futuro das terapias contra a doença ao demonstrar, em modelos animais, a redução acelerada de marcadores associados ao Alzheimer através do uso de nanopartículas bioativas. Embora a pesquisa ainda esteja distante da aplicação em humanos, os resultados reforçam o movimento científico que busca novas estratégias para frear a progressão da doença.

O tema ganha ainda mais importância diante do crescimento expressivo dos casos no Brasil. Dados do Ministério da Saúde estimam que cerca de 1,8 milhão de brasileiros acima dos 60 anos convivam atualmente com algum tipo de demência, sendo o Alzheimer a forma mais comum. A projeção é que esse número aumente significativamente nas próximas décadas devido ao envelhecimento da população.

Apesar do aumento das discussões sobre o tema, o Alzheimer ainda é cercado por mitos e desinformação, especialmente relacionados aos primeiros sintomas, à memória e à convivência familiar. Segundo a neurologista Sonia Maria Brucki, coordenadora do Grupo de Neurologia Cognitiva e do Comportamento do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP e membro da Academia Brasileira de Neurologia, muitas pessoas ainda confundem sinais naturais do envelhecimento com sintomas da doença ou acabam ignorando alterações importantes.

“Hoje já sabemos que identificar a doença precocemente faz diferença para o planejamento do cuidado, para a qualidade de vida e para o acesso às terapias disponíveis”, explica a especialista.

Entre os principais mitos associados ao Alzheimer está a ideia de que qualquer esquecimento já representa um sinal da doença. Na prática, pequenos esquecimentos podem fazer parte do envelhecimento normal. O alerta aparece quando as falhas de memória começam a comprometer atividades cotidianas, segurança, autonomia ou capacidade de orientação.

Outro ponto frequentemente observado é que pacientes tendem a perder primeiro as memórias mais recentes. Isso acontece porque as áreas cerebrais responsáveis pela formação de novas memórias estão entre as primeiras afetadas pela doença. Por isso, lembranças antigas muitas vezes permanecem preservadas durante mais tempo.

A música também desempenha um papel importante no estímulo emocional e cognitivo de pacientes com Alzheimer. Segundo especialistas, memórias musicais costumam envolver diferentes áreas do cérebro e podem permanecer ativas mesmo em estágios mais avançados da doença. Canções associadas a momentos afetivos ajudam a estimular emoções, reduzir ansiedade e fortalecer conexões emocionais.

Outro mito bastante comum envolve a convivência familiar. Muitas pessoas acreditam que alterações comportamentais como irritabilidade, agressividade, resistência ao banho ou confusão tornam impossível uma convivência saudável. Especialistas explicam que essas mudanças geralmente estão relacionadas à desorientação e à dificuldade de comunicação provocadas pela doença. Estratégias de acolhimento, adaptação da rotina e suporte especializado podem ajudar significativamente no cuidado diário.

A neurologista também destaca que corrigir constantemente o paciente não costuma ser a melhor abordagem. Em muitos casos, insistir na correção aumenta frustração, ansiedade e agitação. O mais recomendado é acolher a pessoa, oferecer conforto emocional e redirecionar conversas quando necessário.

Além da evolução do entendimento sobre o comportamento da doença, os avanços científicos também vêm transformando as perspectivas terapêuticas. Segundo a Dra. Bruna Antinori, líder da área terapêutica em Alzheimer da Biogen, a ciência já começa a desenvolver tratamentos voltados diretamente aos mecanismos biológicos associados à progressão da doença.

“Durante muitos anos, o cuidado esteve concentrado apenas no controle dos sintomas. Hoje, no entanto, a ciência já avança no desenvolvimento de terapias direcionadas aos mecanismos biológicos da Doença de Alzheimer, o que representa uma mudança importante na forma de abordar a doença”, afirma.

Nos últimos anos, novas terapias passaram a atuar diretamente sobre proteínas relacionadas ao Alzheimer em estágio inicial, ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes elegíveis. Ainda assim, especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo um dos fatores mais importantes para ampliar as chances de acompanhamento adequado e qualidade de vida.

Diante de sinais persistentes de perda de memória, alterações cognitivas ou mudanças comportamentais, a recomendação é procurar avaliação médica especializada com neurologistas ou geriatras. O acompanhamento adequado permite não apenas investigar os sintomas, mas também oferecer suporte aos familiares e cuidadores ao longo de todo o processo.

Andrezza Barros
Sobre o autor
Andrezza Barros
Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.
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