Saúde

Julho Verde 2026 alerta para diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço no Brasil

Por Andrezza Barros • 30/06/2026
Legenda: Julho Verde 360 propõe integração entre diferentes peças para mudar o cenário do câncer de cabeça e pescoço no Brasil
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Julho Verde 2026 alerta para diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço no Brasil

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Campanha destaca integração entre profissionais, pacientes e sociedade para ampliar prevenção e reduzir casos avançados

Mais de 40 mil brasileiros deverão receber, ao longo de 2026, o diagnóstico de algum tipo de câncer de cabeça e pescoço. Apesar dos avanços nos tratamentos oncológicos, o diagnóstico tardio ainda representa um dos maiores desafios para o controle dessas doenças no país. Para chamar a atenção para esse cenário, o Grupo Brasileiro de Câncer de Cabeça e Pescoço (GBCP) lançou a campanha Julho Verde 2026, que traz como tema “Julho Verde 360 – Integração para transformar o futuro”.

A proposta da campanha é mobilizar profissionais de saúde, pesquisadores, gestores públicos, pacientes, familiares e a sociedade em torno de uma atuação integrada voltada à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao tratamento multidisciplinar. Segundo o GBCP, somente a participação conjunta de todos os envolvidos poderá transformar o cenário atual da doença no Brasil.

O alerta ganha ainda mais importância diante de um estudo publicado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. A pesquisa analisou mais de 145 mil casos registrados no país entre 2000 e 2017 e mostrou que 78,2% dos pacientes receberam o diagnóstico apenas nos estágios III ou IV, quando os tumores já apresentam maior extensão e exigem tratamentos mais complexos.

Os dados revelam que os maiores índices de diagnóstico tardio ocorreram nos tumores da hipofaringe (91,3%), seguidos pelos cânceres da orofaringe (86,6%), cavidade oral (75,1%) e laringe (69,5%).

Segundo a oncologista clínica Milena Mak, presidente do GBCP, ainda existe pouco conhecimento da população sobre essas doenças.

“O câncer de cabeça e pescoço é bastante prevalente no nosso meio, mas ainda é estigmatizado. Então, é relevante ter esse olhar dos profissionais de saúde e da sociedade como um todo para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar dessas doenças para melhorarmos os resultados relacionados a essa doença no país”, afirma.

Embora muitas pessoas pensem que se trata de um único tipo de câncer, o grupo reúne tumores que podem surgir em diferentes regiões, como boca, língua, gengivas, lábios, faringe, laringe, glândulas salivares, cavidade nasal, seios da face e tireoide. Cada um apresenta características próprias, mas muitos compartilham fatores de risco semelhantes.

Entre os principais estão o tabagismo, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas e, em alguns casos, a infecção pelo papilomavírus humano (HPV). Nos últimos anos, especialistas também observaram aumento dos cânceres de orofaringe relacionados ao HPV, especialmente entre pacientes mais jovens.

A vacinação contra o HPV é considerada uma das principais estratégias de prevenção disponíveis atualmente. O imunizante é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, além de grupos especiais contemplados pelo Programa Nacional de Imunizações.

Além da prevenção, reconhecer os primeiros sinais da doença pode fazer toda a diferença. Feridas na boca que não cicatrizam, manchas brancas ou avermelhadas, rouquidão persistente, dificuldade para engolir, dor na garganta por mais de duas semanas e caroços no pescoço são sintomas que merecem avaliação médica.

“É muito importante avaliar sintomas que não melhoram. Por exemplo, uma úlcera na língua ou na gengiva, ou uma afta que permanece por duas ou três semanas sem cicatrizar. É preciso pensar que pode haver algo diferente acontecendo e buscar atendimento”, orienta Milena Mak.

O diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de sucesso do tratamento e pode reduzir a necessidade de terapias mais agressivas. Quando descobertos ainda em fase inicial, muitos tumores podem ser tratados apenas com cirurgia, preservando funções importantes como fala, deglutição e respiração.

Outro ponto destacado pela campanha é a importância do atendimento multidisciplinar. O tratamento envolve não apenas cirurgiões, oncologistas e radioterapeutas, mas também dentistas, estomatologistas, patologistas, radiologistas, nutricionistas, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, psicólogos e assistentes sociais, garantindo uma abordagem completa durante todas as etapas do cuidado.

Ao propor uma visão de cuidado em 360 graus, o Julho Verde 2026 reforça que informação, prevenção, vacinação, diagnóstico precoce e integração entre diferentes áreas da saúde são peças fundamentais para reduzir a mortalidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas com câncer de cabeça e pescoço no Brasil.

Andrezza Barros
Sobre o autor
Andrezza Barros
Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.
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