Usa caneta emagrecedora? Veja como curtir as confraternizações da Copa do Mundo sem passar mal

Médica alerta que exageros em churrascos e bebidas durante os jogos podem causar náuseas, refluxo e mal-estar em quem usa análogos de GLP-1
O clima de Copa do Mundo costuma transformar qualquer partida da Seleção Brasileira em motivo para reunir amigos, preparar churrasco, abrir cerveja e passar horas entre petiscos e comemorações.
Mas para o número crescente de brasileiros que utilizam as chamadas “canetas emagrecedoras”, o excesso durante essas confraternizações pode acabar resultando em um verdadeiro desconforto gastrointestinal ainda antes do apito final.
Medicamentos à base de análogos de GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, ficaram conhecidos nos últimos anos pelo auxílio no tratamento da obesidade e do sobrepeso. Entre seus mecanismos de ação está justamente o retardamento do esvaziamento do estômago, fazendo com que o paciente permaneça saciado por mais tempo.
O problema aparece quando a alimentação foge completamente da rotina, especialmente em eventos marcados por frituras, carnes gordurosas, álcool e longos períodos sem comer.
Segundo a médica nutróloga da Kora Saúde, Dra. Sandra Fernandes (CRM 7973 / RQE 5098), os dias de jogos costumam reunir exatamente os principais gatilhos para episódios de náusea, refluxo, azia e sensação intensa de estufamento em pacientes que fazem uso dessas medicações.
“O erro mais comum é esquecer que o sistema digestivo está funcionando em um ritmo muito mais lento. Quando o paciente exagera em alimentos gordurosos ou no álcool, o organismo simplesmente não consegue lidar com aquele volume da mesma forma de antes. É muito comum aparecerem sintomas como refluxo, enjoo e sensação de peso ainda durante a confraternização”, explica a especialista.
Entre os principais cuidados, a médica destaca a escolha dos alimentos.
Em churrascos, por exemplo, cortes mais magros devem ter preferência. Filé mignon, maminha, frango sem pele e lombo suíno costumam gerar menos impacto digestivo do que linguiça, carnes muito gordurosas, frituras e petiscos ultraprocessados.
Outro ponto importante envolve a velocidade da alimentação. Durante jogos decisivos, muitas pessoas acabam comendo de maneira automática, sem perceber os sinais de saciedade. Para quem utiliza GLP-1, isso pode causar um desconforto ainda maior.
“Comer devagar é fundamental. Essas medicações fazem a saciedade chegar mais rápido, mas o cérebro precisa de tempo para entender isso. Quando a pessoa come muito rápido, acaba ultrapassando o limite físico do estômago sem perceber”, alerta Sandra Fernandes.
As bebidas alcoólicas também merecem atenção especial. Além do potencial irritativo para o estômago, o álcool pode aumentar episódios de náusea, tontura e até hipoglicemia em alguns pacientes.
A orientação é nunca beber de estômago vazio e alternar cada dose alcoólica com água para reduzir os impactos da desidratação.
Vegetais grelhados, saladas e acompanhamentos mais leves podem ajudar a equilibrar a refeição sem comprometer o momento de lazer.
Já carboidratos mais pesados, como pão de alho em excesso, frituras e molhos muito gordurosos, devem ser consumidos com moderação.
Outro erro comum citado pela especialista é passar horas sem comer esperando o início da confraternização. O jejum prolongado aumenta a chance de exageros assim que a comida é servida.
Pequenos lanches leves antes de sair de casa, como frutas ou iogurte, ajudam a controlar melhor a fome e evitar episódios de compulsão alimentar durante o jogo.
Para a médica, o principal ponto é entender que a medicação exige uma nova relação com a alimentação, inclusive em momentos sociais.
“Os jogos da Copa são momentos de celebração e convivência. Não significa que o paciente precise deixar de participar, mas é importante respeitar os limites do próprio corpo. Comer com atenção e equilíbrio continua sendo a melhor estratégia para aproveitar a festa sem transformar o pós-jogo em um grande mal-estar”, conclui.
