Cultura

Visões Lab 2026 amplia inscrições para projetos audiovisuais das periferias

Por Andrezza Barros • 08/06/2026
Legenda: Caluim, curta-metragem baiano, com direção de Marcos Alexandre, exibido na edição do festival em 2025
Foto: Still

Visões Lab 2026 amplia inscrições para projetos audiovisuais das periferias

Still
Laboratório gratuito do Festival Visões Periféricas recebe inscrições até 14 de junho

O audiovisual produzido nas periferias brasileiras segue conquistando novos espaços e ampliando sua presença dentro do mercado cultural nacional. Em meio a esse movimento, o Visões Lab 2026 prorrogou até o dia 14 de junho o prazo de inscrições para seu laboratório gratuito de desenvolvimento de projetos, iniciativa que busca fortalecer narrativas criadas por realizadores de comunidades periféricas, tradicionais e grupos historicamente sub-representados.

Promovido pelo Festival Visões Periféricas, o laboratório se consolidou como uma importante plataforma de incentivo à diversidade dentro do cinema brasileiro. O projeto é voltado para produtoras, produtores independentes, coletivos audiovisuais e empresas do setor interessados em desenvolver projetos de ficção com acompanhamento profissional especializado.

Nesta edição, serão selecionados dez projetos, sendo cinco longas-metragens e cinco curtas-metragens. Os participantes passarão por uma jornada intensiva de mentoria que inclui desenvolvimento de roteiro, direção, produção executiva e preparação para pitching, etapa fundamental para apresentação de projetos ao mercado audiovisual.

O Visões Lab será realizado de forma totalmente online, permitindo a participação de realizadores de todas as regiões do país. A proposta amplia o acesso a oportunidades de formação, qualificação profissional e construção de redes de contato dentro do setor audiovisual, especialmente para profissionais que frequentemente encontram barreiras estruturais para acessar editais, investimentos e espaços de circulação cultural.

Além do desenvolvimento técnico dos projetos, o laboratório também atua como ferramenta de fortalecimento de vozes e olhares diversos dentro do cinema brasileiro. Ao longo dos últimos anos, produções realizadas por cineastas periféricos, indígenas, quilombolas e representantes de comunidades tradicionais passaram a ganhar cada vez mais destaque em festivais nacionais e internacionais, ampliando debates sobre representatividade, identidade e democratização do acesso à cultura.

Criado em 2007, o Festival Visões Periféricas se tornou uma das principais referências nacionais na valorização de produções audiovisuais realizadas a partir das periferias urbanas e de grupos historicamente invisibilizados nos circuitos culturais tradicionais. O evento contribui diretamente para ampliar o alcance dessas narrativas e fortalecer a diversidade dentro do audiovisual brasileiro.

Agora em sua sexta edição, o Visões Lab reafirma esse compromisso ao criar um ambiente voltado ao aprimoramento artístico e estratégico de projetos com potencial de realização e circulação no mercado. Ao final da imersão, os participantes terão a oportunidade de apresentar seus trabalhos para uma banca formada por profissionais do setor audiovisual.

Segundo Márcio Blanco, diretor do festival, o objetivo do laboratório vai além da formação técnica. A iniciativa busca criar oportunidades concretas para que histórias produzidas fora dos grandes centros tradicionais consigam alcançar visibilidade e circulação.

“O Visões Lab nasce do desejo de oferecer oportunidades reais para que iniciativas potentes consigam se concretizar, circular e encontrar espaço no circuito audiovisual”, destaca.

A proposta acompanha um movimento crescente de descentralização da produção cultural brasileira, que vem ampliando o reconhecimento de histórias produzidas a partir de diferentes territórios, experiências e contextos sociais. Em um cenário onde o debate sobre diversidade no audiovisual se torna cada vez mais urgente, iniciativas como o Visões Lab ajudam a fortalecer novas perspectivas narrativas e ampliar o acesso de diferentes grupos ao mercado cultural.

Com inscrições gratuitas e formato online, o laboratório surge como uma oportunidade importante para realizadores que desejam transformar ideias em projetos estruturados, conectando criatividade, formação profissional e fortalecimento da produção audiovisual periférica no Brasil.

Andrezza Barros
Sobre o autor
Andrezza Barros
Andrezza Barros (Niterói, 21 de abril de 1995) é uma jornalista, colunista e entrevistadora do entretenimento.
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