Olhar de Cinema revisita clássicos de David Lynch e raridades do cinema mundial

Mostra Olhares Clássicos reúne filmes restaurados, raridades e obras que marcaram a história do cinema
A 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba segue até o dia 13 de junho reunindo mais de 80 produções nacionais e internacionais em sua programação. Entre os destaques deste ano está a Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio, que propõe uma viagem por diferentes períodos da história do cinema com filmes restaurados, produções cultuadas e obras raras de difícil acesso no circuito comercial.
A seleção reúne dez títulos divididos em três grandes eixos temáticos: o colapso das convenções sociais, os impactos dos conflitos históricos e políticos e o próprio cinema como objeto de reflexão artística. A proposta da mostra é revisitar produções que marcaram diferentes gerações e ajudaram a transformar a linguagem cinematográfica ao longo das décadas.
Entre os filmes mais aguardados está “Veludo Azul” (“Blue Velvet”), clássico de David Lynch lançado em 1986. Considerado um dos trabalhos mais emblemáticos do diretor, o longa retorna às telas em um momento simbólico: o ano em que Lynch completaria 80 anos. O filme acompanha Jeffrey, jovem que descobre uma orelha humana abandonada em um campo e acaba mergulhando em uma trama marcada por violência, desejo e perversão escondidos sob a aparente tranquilidade dos subúrbios americanos.
Outro destaque da mostra é “Corações Desertos” (“Desert Hearts”), dirigido por Donna Deitch e considerado um marco do cinema lésbico. O longa acompanha a história de uma professora universitária que, durante um processo de divórcio, se envolve com uma jovem intensa e livre no deserto de Nevada. Exibido em cópia restaurada, o filme celebra 40 anos de seu lançamento comercial e segue reconhecido pela maneira sensível e pioneira como retratou o amor entre mulheres em uma época de pouca representatividade LGBTQIA+ no cinema.
A programação também resgata raridades históricas do cinema brasileiro, como “Hollywood Studios”, dirigido pelo paranaense Arthur Rogge em 1930. O documentário percorre os bastidores de Hollywood durante a década de 1920 e revela a curiosidade do cineasta sobre a indústria cinematográfica norte-americana. A produção é considerada uma preciosidade histórica do audiovisual paranaense e mostra como realizadores brasileiros buscavam compreender e reproduzir os modelos dos grandes estúdios internacionais.
Entre os filmes mais antigos da mostra está “As Aventuras do Príncipe Achmed”, animação alemã de 1926 dirigida por Lotte Reiniger. Considerado o primeiro longa-metragem de animação dirigido por uma mulher, o filme utiliza a técnica de silhuetas em stop motion para construir uma narrativa inspirada nas histórias de “As Mil e Uma Noites”.
A programação também mergulha em questões políticas e sociais através de obras como “Beirute Fantasma”, do diretor libanês Ghassan Salhab, que retrata os impactos emocionais da Guerra Civil Libanesa, e “As Harmonias de Werckmeister”, de Béla Tarr e Ágnes Hranitzky, longa húngaro reconhecido por sua abordagem filosófica sobre medo coletivo, manipulação e violência social.
Outros títulos presentes na mostra são “High School”, documentário de Frederick Wiseman sobre o sistema educacional norte-americano nos anos 1960; “Vento Norte”, considerado um dos primeiros longas brasileiros com som sincronizado produzidos no Sul do país; além de “Aqui e em Qualquer Lugar” e “Eles Não Existem”, obras ligadas à resistência palestina e aos debates políticos envolvendo a Palestina durante as décadas de 1970.
As sessões da Mostra Olhares Clássicos Cine Passeio acontecem no Cine Passeio e na Cinemateca de Curitiba, integrando a programação oficial do festival. A iniciativa oferece ao público a oportunidade de assistir na tela grande produções históricas que ajudaram a transformar a estética, a narrativa e o pensamento cinematográfico ao redor do mundo.
