Confira 6 filmes com direção feminina para assistir na 15ª edição do Olhar de Cinema

Festival Internacional de Curitiba reúne produções dirigidas por mulheres e destaca diferentes narrativas, estilos e olhares sobre o cinema contemporâneo
Entre os dias 4 e 13 de junho, Curitiba recebe a 15ª edição do Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, um dos eventos mais importantes do calendário audiovisual brasileiro. Com mais de 80 filmes na programação, o festival reforça neste ano a presença de produções dirigidas por mulheres, reunindo obras que transitam entre documentário, ficção, animação, experimental e cinema autoral.
A seleção evidencia diferentes perspectivas narrativas e estéticas dentro do cinema contemporâneo, além de destacar diretoras de diversas partes do mundo. Entre os títulos mais comentados desta edição está “Fiz um Foguete Imaginando que Você Vinha”, longa de estreia da brasileira Janaína Marques, selecionado para a Mostra Competitiva Brasileira de Longas.
O filme acompanha Rosa, personagem que, durante um exame de ressonância magnética, mergulha em lembranças reais e imaginárias envolvendo sua mãe, Dalva. A obra propõe uma reflexão sensível sobre memória, afeto e reconstrução emocional, em uma narrativa marcada por elementos poéticos e subjetivos. O longa será exibido nos dias 12 e 13 de junho.
Outro destaque da programação é “Bouchra”, animação assinada por Orian Barki e Meriem Bennani, que integra a Mostra Competitiva Internacional de Longas. O filme acompanha uma coiote marroquina vivendo em Nova York enquanto documenta sua relação à distância com a mãe, em Casablanca. A produção mistura humor, intimidade e reflexão sobre identidade cultural, imigração e relações familiares.
A programação também resgata obras históricas dirigidas por mulheres, como “As Aventuras do Príncipe Achmed”, clássico da cineasta alemã Lotte Reiniger. Produzido em 1926, o longa é considerado uma das animações mais importantes da história do cinema e utiliza a técnica de silhuetas para adaptar contos de “As Mil e Uma Noites”. O filme atravessa gerações pela inventividade visual e pela relevância histórica dentro da linguagem da animação.
Já “Como Todo Mortal”, dirigido por Maria Molina Peiro, propõe uma experiência mais experimental ao acompanhar um robô em busca de sinais de vida em um planeta distante, enquanto paralelamente explora paisagens de mineração entre Andaluzia e Marte. A produção mistura ficção científica, questões ambientais e observação documental em uma narrativa contemplativa.
Entre os filmes brasileiros, “Segunda Pele”, da diretora Dea Ferraz, chama atenção pela proposta estética e corporal. O documentário acompanha seis artistas mulheres e suas relações com o próprio corpo, explorando temas como identidade, liberdade, marcas físicas e transformação. A obra aposta em uma linguagem experimental e poética para discutir feminilidade e existência.
Outro título curioso da programação é “Gato na Cabeça”, da diretora letã Laila Pakalnina. O longa parte da descoberta de negativos fotográficos encontrados próximos a uma lixeira para reconstruir, de forma imaginativa, fragmentos de vidas desconhecidas. A narrativa trabalha memória, fotografia e subjetividade de forma bastante sensorial.
Além dessas produções, o festival também apresenta outros filmes dirigidos por mulheres, como “Barbara Para Sempre”, “Corações Desertos”, “Anistia 79”, “Telúrica, a Íntima Utopia”, “Passado Futuro Contínuo” e “Se Pombos Virassem Ouro”.
As sessões acontecem em espaços culturais importantes de Curitiba, incluindo o MON – Museu Oscar Niemeyer, Cine Passeio, Cinemateca de Curitiba, Teatro da Vila e Ópera de Arame. Os ingressos custam entre R$ 8 e R$ 18, com parte da programação gratuita em alguns espaços.
O Olhar de Cinema chega à sua 15ª edição consolidado como um dos principais festivais do país e reforça, mais uma vez, a importância de ampliar o espaço para diferentes narrativas, linguagens e perspectivas dentro do audiovisual contemporâneo.
